Cheia histórica isola distritos e submerge comunidades rurais em Canavieiras; Defesa Civil decreta emergência

 

Famílias ficaram ilhadas e perderam móveis e criação de animais após transbordamento dos rios Pardo e Jequitinhonha; situação é crítica nos distritos de Ouricana e Poxim

CANAVIEIRAS (BA) — A zona rural de Canavieiras, no sul da Bahia, amanheceu irreconhecível nesta quinta-feira. Após dias consecutivos de fortes chuvas que atingiram toda a região, o transbordamento dos rios Pardo e Jequitinhonha transformou vastas áreas do município em um verdadeiro mar de água barrenta. Comunidades inteiras estão completamente submersas, restando apenas os telhados das casas e as copas das árvores como testemunhas da paisagem que um dia existiu ali.

A situação mais crítica é registrada nos distritos de Ouricana e Poxim, além de povoados como a Ponta da Barra e a região do Rio Pardo. Moradores que optaram por não deixar suas casas estão ilhados, aguardando resgate em lajes e andares superiores, sem acesso a água potável ou alimentos.

"Eu nunca vi coisa igual. A água subiu durante a madrugada, parecia uma lagoa. Perdi tudo, meus móveis, minha criação de galinha, tudinho levou a água", relatou, por telefone, seu Antônio Raimundo Santos, morador da região do Ouricana, que foi resgatado de barco por vizinhos no início da manhã.

A prefeitura de Canavieiras informou que equipes da Defesa Civil municipal, com apoio de voluntários e embarcações, estão mobilizadas desde as primeiras horas para realizar o resgate das famílias ilhadas e levar suprimentos para os pontos mais atingidos. Um abrigo provisório foi montado em uma escola na sede do município, mas o acesso à zona rural segue bastante comprometido.

"A gente está de mãos atadas. A água não dá trégua e o acesso por terra está completamente bloqueado. Estamos usando barcos, mas a correnteza está muito forte em alguns pontos, o que dificulta a aproximação", explicou um coordenador da Defesa Civil, que preferiu não se identificar enquanto coordena as operações.

Além dos danos materiais, há a preocupação com a saúde pública. Com a água parada e o esgoto a céu aberto, o risco de proliferação de doenças como leptospirose e hepatite A é iminente. A Secretaria de Saúde do município deve iniciar nos próximos dias uma força-tarefa para vacinação e distribuição de hipoclorito de sódio para tratamento da água.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já havia emitido alertas para o acumulado de chuvas na região, mas a vazante dos rios, que descem com grande volume do interior de Minas Gerais, agravou a cheia. Até o momento, não há registro oficial de mortos ou feridos, mas o prejuízo econômico para os agricultores familiares e pequenos produtores rurais da região é incalculável.

A Defesa Civil Estadual foi acionada e deve enviar ajuda humanitária, incluindo cestas básicas, colchões e água mineral, nas próximas horas. A orientação para quem ainda está em áreas de risco é procurar imediatamente um local seguro ou entrar em contato com as autoridades pelo número 199.

A reportagem segue acompanhando a situação e aguarda um novo boletim oficial da prefeitura sobre o número de desabrigados e desalojados.




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