Uma imagem simples, mas carregada de significado, transformou-se em símbolo de um protesto que cresce no sudeste goiano. Aos 78 anos, uma moradora rural surgiu em frente à porteira de sua propriedade e passou a representar o sentimento de dezenas de famílias afetadas pelas desapropriações relacionadas às obras de duplicação da GO-330, entre Catalão e Ipameri.
Nos últimos dias, produtores rurais chegaram a bloquear trechos da rodovia em manifestação contra os valores apresentados nas indenizações. Os moradores afirmam não ser contra a duplicação nem contra o desenvolvimento da região, mas defendem que as compensações financeiras reflitam o valor real das propriedades construídas ao longo de décadas de trabalho.
A repercussão aumentou após vídeos e fotos circularem nas redes sociais, mostrando famílias preocupadas com a perda de terras, histórias de vida e patrimônios construídos por gerações. Para muitos moradores, a discussão deixou de ser apenas sobre metros de terra — passou a envolver memória, raízes e dignidade.
A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) afirma que mantém diálogo com os proprietários e que parte dos casos segue em negociação ou discussão judicial. Pela legislação brasileira, quando não há acordo sobre os valores, cabe à Justiça analisar e definir a indenização adequada.
Enquanto máquinas avançam e projetos seguem sendo executados, cresce uma pergunta que ecoa entre as famílias atingidas: como calcular o valor de uma terra onde alguém investiu uma vida inteira de trabalho, sonhos e história?






