JORDÂNIA (MG) – Uma nova ocorrência de intolerância religiosa está causando apreensão entre fiéis da Igreja Recompensa de Cristo, localizada na Rua Sapucaí, no Bairro Guanabara. Na última semana, mulheres que participavam de um culto foram agredidas com pedras e alvo de xingamentos. De acordo com os relatos, a agressora é uma vizinha do templo, que já teria protagonizado episódios semelhantes anteriormente.
O fato ocorreu por volta das 19h30 de quarta-feira. Testemunhas afirmam que a mulher, identificada apenas como uma residente local, se aproximou da igreja visivelmente irritada, reclamando do volume do som. Em vez de um diálogo, a situação rapidamente escalou para agressões verbais e, em seguida, físicas.
“Ela começou a gritar que a igreja estava fazendo barulho e, sem aviso, começou a atirar pedras em nossa direção. Nós, mulheres, estávamos do lado de fora no intervalo do culto. Foi muito assustador. Ela falou coisas horríveis contra nossa fé”, relatou uma das vítimas, que preferiu não se identificar por medo de represálias. “Infelizmente, já não é a primeira vez que ela faz isso. Vivemos sob constante tensão”, completou.
De acordo com informações recebidas pelo Blog Ribeira, a principal preocupação da comunidade é a recorrência dos ataques. Os fiéis afirmam que as agressões têm se tornado frequentes, gerando um ambiente de intimidação que viola o direito constitucional à liberdade de crença. Eles alegam ter chamado a Polícia Militar em ocasiões passadas, porém as ações até agora não foram adequadas para conter a violência.
“Não podemos celebrar nossa fé com paz. Estamos sendo cerceados. Isso não é sobre barulho, é sobre intolerância pura. Ela xinga nossa denominação e nossos rituais de forma pejorativa”, desabafou um líder comunitário que frequenta a igreja.
A intolerância religiosa é crime previsto na Lei nº 7.716/1989, com pena que pode variar de multa a reclusão. A legislação classifica como crime impedir ou perturbar cerimônia religiosa, injuriar alguém publicamente por motivo de crença e vilipendiar objeto sagrado.
Procurada para se manifestar sobre o caso, a Polícia Civil de Jordânia informou, por meio de nota, que "tomou conhecimento dos fatos e instaurou um inquérito para apurar as ameaças e agressões, que são tratadas com seriedade". A corporação orienta que as vítimas registrem um Boletim de Ocorrência para que as investigações possam prosseguir.
Enquanto aguardam uma solução definitiva pelas vias legais, os membros da Igreja Recompensa de Cristo seguem temerosos. Eles esperam que as autoridades atuem para garantir a segurança do local e que a conscientização sobre o respeito à diversidade religiosa possa prevalecer na comunidade.
“Nosso único desejo é poder cultuar em paz, sem medo. Respeitamos todos, e só pedimos o mesmo respeito de volta”, concluiu uma das fiéis. Vejo o vídeo a seguir:

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