Há três anos, o governador Jerônimo Rodrigues autorizava a pavimentação de 37 km da rodovia que liga Maiquinique (BA) à divisa com Minas Gerais. Com um investimento previsto de R$ 60 milhões, a obra era celebrada como a solução para o escoamento da produção e a integração entre os estados. Mas o tempo passou, e a esperança deu lugar à frustração. A estrada de terra, que na chuva vira lama e no sol, poeira, continua sendo a única alternativa para quem precisa trafegar pela região.
A autorização, anunciada em julho de 2023 durante uma agenda do governador em Maiquinique, foi recebida com entusiasmo pela população . A promessa de asfalto representava não apenas mais conforto e segurança, mas o fim de um isolamento histórico que prejudica o transporte de mercadorias e o dia a dia de quem vive na fronteira entre a Bahia e Minas Gerais.
A luta, no entanto, é antiga. Em 2013, o deputado Marcelino Galo (PT) já havia protocolado uma indicação solicitando o asfaltamento do trecho de 30 km, citando os "grandes prejuízos aos moradores da região" e o risco que motoristas e passageiros enfrentavam com veículos atolados na lama . A demanda era a mesma: garantir o escoamento da produção agrícola e a mobilidade segura .
O anúncio de 2023 parecia, portanto, a resposta esperada. A obra, que ligaria Maiquinique a Jordânia (MG), abriria um corredor logístico estratégico, reduzindo distâncias e integrando o Sudoeste baiano ao Vale do Jequitinhonha . Mas, segundo relatos, a euforia inicial se desfez com o passar dos meses. O projeto de pavimentação, anunciado em eventos oficiais, não saiu do papel .
A ausência do asfalto contrasta com outras ações na região. Em Macarani, a recuperação de 22 km da BA-270 foi entregue, e a pavimentação de outro trecho da BA-130, ligando Itapetinga ao trevo, foi autorizada . Para os moradores de Maiquinique e Jordânia, a pergunta que fica é: por que o trecho que une as duas cidades, tão crucial para o desenvolvimento local, continua sendo uma promessa adiada?
Enquanto as máquinas não chegam, a população vive entre a memória do anúncio e a realidade da estrada de chão. O que era para ser um marco de desenvolvimento tornou-se mais um capítulo de uma história de promessas esquecidas, onde o progresso anunciado ainda não saiu do papel.

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