A Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil confirmou que o ataque registrado na comunidade Dois Irmãos, em Curicica, Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, foi realizado com o uso de drones para lançar artefatos explosivos.
O ataque ocorreu no fim da tarde da última segunda-feira (13), quando uma granada danificou o telhado da sede da Associação de Moradores da comunidade Parque Dois Irmãos e atingiu também um espaço em via pública. Um morador ficou ferido.
Na terça-feira (14), agentes do Esquadrão Antibomba da Core realizaram uma varredura técnica no local com o auxílio de cães farejadores. A perícia identificou "dois pontos contendo vestígios de explosão compatíveis com a utilização de Artefatos Explosivos Improvisados (AEIs)" lançados por aeronaves remotamente pilotadas (drones).
Durante a operação, os cães farejadores localizaram um cemitério clandestino, onde uma cabeça humana foi encontrada dentro de um saco plástico. O material foi apreendido e passará por perícia.
Intercâmbio na Ucrânia e uso de impressoras 3D
O episódio revela uma nova escalada na guerra entre facções criminosas que disputam território na região. Segundo a Polícia Civil, as organizações criminosas do Rio têm investido no uso de drones como arma de guerra e chegam a enviar integrantes à Ucrânia para aprender técnicas de combate com esses equipamentos.
As investigações apontam ainda que os criminosos produzem a estrutura das granadas em impressoras 3D, abastecendo os artefatos com materiais inflamáveis.
O delegado Marcos Motta, da Coordenadoria de Operações Aéreas Não Tripuladas (Coant), destacou que "a atividade criminosa não consegue se desassociar do uso dos drones" e que as forças de segurança buscam se especializar em cenários de guerra para antecipar novas formas de atuação.
As investigações sobre o ataque estão a cargo da 32ª DP (Taquara) e da Delegacia de Homicídios. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

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