ESTRADAS VICINAIS DE POTIRAGUÁ: ENTRE BURACOS E PEDRAS, A CALAMIDADE PÚBLICA QUE TRAVA A ECONOMIA E ARRISCA VIDAS

 

A situação precária das estradas vicinais de Potiraguá atingiu um patamar de total abandono, beirando o estado de calamidade pública. Em uma verdadeira aventura de risco pela estrada conhecida na região como "Camamengos", a equipe do Blogribeira vivenciou na pele o inferno geológico que produtores rurais, estudantes e trabalhadores do campo enfrentam diariamente.

O trajeto, que deveria ser um simples deslocamento, transformou-se em um "rally" de sobrevivência. Ao percorrer os "Camamengos", a imagem que se descortina é desoladora: buracos profundos que engolem veículos e pontas de pedras aviadas que se erguem como armadilhas mortais. O medo de perder um pneu a qualquer instante era palpável, assim como o temor de destruir uma mola ou amortecedor. A qualquer momento, o carro poderia simplesmente quebrar, deixando o viajante à mercê do nada.

A reflexão sobre o escoamento da produção

Essa experiência traumática me fez refletir sobre o desespero silencioso dos produtores rurais. Como escoar a produção agrícola ou levar insumos para as fazendas se os caminhões não conseguem chegar aos destinos sem danificar a carga ou a própria mecanização? O custo logístico, que já é alto, se torna proibitivo, corroendo a lucratividade e inviabilizando o trabalho no campo.

O drama dos alunos e dos caminhões do leite

O quadro se agrava quando observamos os carros que pegam os alunos da zona rural. Crianças e adolescentes são submetidos diariamente a esse calvário. Além do atraso escolar, a integridade física delas fica seriamente comprometida. A trepidação excessiva e os solavancos colocam em risco a saúde dos pequenos passageiros, enquanto os veículos, submetidos a esforços extremos, aumentam exponencialmente as chances de acidentes graves.

Paralelamente, os caminhões que coletam o leite produzido diariamente nas localidades próximas aos "Camamengos" enfrentam uma verdadeira via-crúcis. O leite, produto altamente perecível, sofre com os atrasos causados pela lentidão forçada para desviar dos buracos ou, quando o pior acontece, pelos atoleiros. O prejuízo financeiro aos laticínios e a desperdício de alimento são consequências diretas da negligência com a malha viária.

Um grito por socorro

Não se trata mais de mero descaso administrativo, mas sim de um estado de calamidade pública que afeta a economia, a educação, a segurança alimentar e a qualidade de vida de toda a população potiraguense. É urgente que o poder público municipal e estadual olhe com atenção humanitária para os "Camamengos" e para todas as vicinais do município.

Enquanto as máquinas não chegam e o asfalto não vira realidade, a "aventura" nos "Camamengos" continua sendo a única rota para quem precisa trabalhar, estudar e viver. A conta desse abandono, porém, é cobrada todos os dias em pneus furados, molas quebradas e, acima de tudo, na dignidade do povo do campo.

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