Produtores de cacau interdiam BR-101 em protesto contra importação de amêndoas

 


Trecho da rodovia em Aurelino Leal (BA) ficou bloqueado na manhã desta quinta-feira (5), causando congestionamento e tensão na região.

AURELINO LEAL (BA) – A BR-101, uma das principais rotas de ligação do país, foi totalmente interditada na manhã desta quinta-feira (5) por produtores de cacau do sul da Bahia. O protesto, organizado no município de Aurelino Leal, gerou um congestionamento de quilômetros nos dois sentidos da rodovia, afetando o tráfego de carretas, veículos de passageiros e o escoamento de produtos da região.

A mobilização reflete a crise que atinge a cadeia cacaueira no Brasil. Os agricultores afirmam que a importação massiva de amêndoas africanas por grandes indústrias nacionais está derrubando o preço pago ao produtor local, colocando em risco a sobrevivência econômica de milhares de famílias.

Cenário de tensão

Por volta das 6h, dezenas de produtores e trabalhadores rurais ocuparam a pista, exibindo cartazes com frases como “Cacau nacional sim, importação não” e “Salvem nossa lavoura”. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada para monitorar a situação, mas até o início da tarde a via permanecia fechada, com negociadores tentando um acordo para liberação.

Segundo a Associação dos Produtores de Cacau da Bahia (APC), a cotação da arroba do cacau caiu mais de 30% em alguns municípios nos últimos meses. “Estamos sendo sufocados por uma concorrência desleal. Enquanto o cacau brasileiro, que tem qualidade reconhecida, enfrenta custos altos, as indústrias compram amêndoas baratas de fora e deixam o produtor local à míngua”, disse João Silva, presidente da entidade.

Reivindicações

Os manifestantes exigem do governo federal a adoção imediata de medidas protecionistas, como a taxação da importação de amêndoas e a garantia de um preço mínimo para o cacau nacional. O setor também pede diálogo com as indústrias processadoras para estabelecer contratos mais justos.

Procurado, o Ministério da Agricultura informou, por nota, que “acompanha a situação do mercado cacaueiro e está aberto ao diálogo”, mas não comentou sobre possíveis barreiras à importação.

Impacto no tráfego

Motoristas que trafegam pela BR-101 relataram horas parados no congestionamento. “Entendo a causa deles, mas isso prejudica muita gente que depende da rodovia para trabalhar”, afirmou o caminhoneiro Marcos Oliveira, que transportava frutas do Espírito Santo para a Bahia.

A PRF orienta que os condutores evitem o trecho entre Itabuna e Ilhéus enquanto o bloqueio persistir.

Ponto de vista do Blogribeira

Este é um momento delicado que coloca em conflito direitos legítimos: de um lado, a liberdade de circulação; de outro, o direito de reivindicar por condições dignas de trabalho e sustentabilidade econômica. Protestos em rodovias, embora cause transtornos, historicamente têm sido usados como último recurso por categorias que se sentem invisibilizadas.

A crise do cacau expõe um desafio complexo: como equilibrar a abertura comercial com a proteção de cadeias produtivas estratégicas para o Brasil? O cacau baiano não é apenas um commodity; é parte da identidade cultural e econômica de uma região. Ignorar esse grito pode custar mais do que alguns quilômetros de congestionamento.

Convidamos os leitores a refletir: qual o limite entre o protesto legítimo e o direito de ir e vir? E, mais importante: como conciliar a competitividade global com a sobrevivência do agricultor nacional?

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