Um projeto audacioso e repleto de significado tomou conta das salas do Centro Educacional Maria Azevedo. Alunos, sob a orientação da profª Patrícia Lima Sampaio, produziram um curta-metragem que reinterpreta o musical "Às Cangaceiras, Guerreiras do Sertão", baseando-se oralmente no poema de Tavares Kumuera Ymimiua, escrito em nossa língua ancestral. A iniciativa vai além da arte, funcionando como um potente instrumento de resgate cultural e identitário.
O poema de Tavares Kumuera Ymimiua, escrito em uma língua ancestral, serviu como a alma narrativa do projeto. A opção pela interpretação oral, e não pela leitura de um texto traduzido, foi uma escolha pedagógica e cultural profunda. Os alunos mergulharam na sonoridade, na cadência e na emoção contida nos versos, compreendendo a língua como um veículo vivo de tradição e resistência.
"Trabalhamos a oralidade como nossos antepassados faziam. A língua ancestral não é apenas um conjunto de palavras, mas a carga de uma história, de uma visão de mundo. Ouvir e reproduzir esses sons foi como conectar-se com uma memória adormecida no sangue", explica uma das professoras envolvidas no projeto.
O curta "Às Cangaceiras" transporta essa narrativa ancestral para a figura lendária das cangaceiras, mulheres guerreiras do sertão. A fusão entre a linguagem poética ancestral e a temática histórica regional cria uma narrativa única, que questiona estereótipos e celebra a força e a resistência feminina.
"Interpretar essas guerreiras, usando a língua dos nossos antepassados, foi uma experiência poderosa. Percebemos que a força delas ecoa a força dos povos originários. É como se estivéssemos contando a mesma história de luta, mas de duas épocas diferentes", relata uma aluna participante.
O projeto, que integra disciplinas como Língua Portuguesa, História, Artes e Literatura, demonstra como a educação pode ser um espaço dinâmico para a preservação cultural. O curta-metragem não é apenas um produto final, mas o registro de um processo de aprendizado profundamente enraizado na identidade local.
A exibição do curta para a comunidade escolar foi recebida com grande emoção. Para muitos, foi a primeira vez que ouviram a sonoridade de uma língua ancestral sendo usada em uma produção artística contemporânea, um passo significativo no longo caminho do autorreconhecimento e da valorização das raízes que formam a diversidade do povo brasileiro.
O Centro Educacional Maria Azevedo mostra, assim, que a sala de aula pode ser um palco para vozes silenciadas pela história, provando que a educação, quando conectada com suas raízes. Veja o vídeo a seguir:



























