BRASÍLIA – Um pastor evangélico foi agredido verbal e fisicamente e, em seguida, expulso à força de uma vigília em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que contava com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O incidente, registrado em vídeo, ocorreu na noite desta terça-feira e se espalhou rapidamente pelas redes sociais.
O religioso, identificado como pastor Welerson Alves, estava no local e começou a gravar um vídeo para suas redes sociais. Em suas declarações públicas após o fato, ele afirmou que é um apoiador de Bolsonaro, mas que foi abordado de forma hostil por outros participantes do ato ao ser reconhecido.
Imagens mostram o pastor cercado por um grupo de pessoas. Ele é empurrado, recebe um golpe na cabeça e é alvo de xingamentos. Vozes são ouvidas gritando “sai, sai” e “cala a boca”. O pastor tenta se explicar, dizendo “Eu sou de Bolsonaro”, mas a hostilidade continua. Ele é conduzido para fora do local sob vaias e agressões.
Em depoimento, o pastor Welerson alegou que a perseguição começou porque ele teria, em transmissões anteriores, feito críticas a um dos organizadores da vigília, o que teria motivado a reação violenta dos demais apoiadores.
O senador Flávio Bolsonaro estava no palanque no momento do incidente. As imagens mostram que, ao perceber a confusão, ele se levantou e pareceu fazer um gesto para acalmar a multidão, mas a situação não foi controlada imediatamente. Após a expulsão do pastor, o senador retomou seu discurso.
Em suas redes sociais, após a ampla divulgação dos vídeos, Flávio Bolsonaro se manifestou, classificando o ocorrido como “lamentável”. Ele afirmou que “violência, de qualquer natureza, é inaceitável” e disse repudiar “qualquer tipo de agressão”. O senador não comentou sobre as alegações de que o pastor teria sido perseguido por divergências anteriores com organizadores do evento.
O caso gerou forte repercussão e acendeu o debate sobre a intolerância e a polarização no ambiente político.Para observadores, o episódio é sintomático de um clima onde a mais leve suspeita de dissidência ou crítica dentro de um mesmo grupo político pode ser respondida com hostilidade e violência.
O pastor Welerson registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, relatando as agressões sofridas. Ele afirmou que se sentiu “traído” e que o movimento bolsonarista, em sua opinião, “precisa de mais amor”. Veja o vídeo a seguir:

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