Som acima do limite e saúde em risco: idosos do Centro de Jordânia clamam por silêncio e ação do poder público

 


Moradores denunciam perturbação do sossego com ruídos que ultrapassam os 100 decibéis, tornando a convivência familiar impossível e ameaçando a saúde da população idosa

No coração da cidade de Jordânia, o fim de semana tem sido sinônimo de angústia e privação de sono para um grupo específico e vulnerável da população: os moradores idosos da região central. O motivo da revolta é a poluição sonora causada por sons ligados em volume máximo, que, segundo relatos, ultrapassam a marca dos 100 decibéis (dB) — um nível muito superior ao considerado tolerável pela Organização Mundial da Saúde e pelas legislações municipais.

O incômodo, que se arrasta por tempo considerável, transcende a questão do mero desconforto auditivo. Moradores afirmam que o barulho é tamanho que inviabiliza atos simples do cotidiano, como conversar com uma visita ou até mesmo manter um diálogo entre familiares dentro da própria casa. “As pessoas precisam ter senso crítico e perceber que nem todos os moradores são obrigados a aguentar o som no volume máximo. Perdemos o direito ao sossego e à privacidade dentro do nosso lar”, desabafou um dos residentes.

O silêncio que adoece

A reclamação dos moradores de Jordânia encontra respaldo na ciência. Estudos recentes na área da saúde pública mostram que a população idosa é uma das mais suscetíveis aos efeitos deletérios da poluição sonora. A exposição crônica a ruídos elevados não apenas agrava perdas auditivas (como a presbiacusia), mas também está diretamente ligada a distúrbios do sono, problemas cardiovasculares e prejuízos à saúde mental, incluindo quadros de ansiedade e estresse .

Pesquisas indicam que o ruído urbano provoca um sono fragmentado, reduzindo as fases mais profundas e restauradoras do descanso, o que impacta diretamente a qualidade de vida e a produtividade durante o dia . Em um lar de idosos, o lar deveria ser um refúgio, não uma fonte de adoecimento.

Legalidade ignorada

A legislação brasileira é clara no combate à perturbação do sossego. A Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/41), em seu artigo 42, considera crime perturbar o trabalho ou o sossego alheios abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos .

Embora os limites máximos possam variar conforme a legislação municipal, referências técnicas comuns estabelecem o teto de 70 dB durante o dia e 60 dB no período noturno (das 22h às 6h) . Ultrapassar esses limites, especialmente chegando a marcas superiores a 100 dB (equivalente ao som de um show de rock ou uma sirene de ambulância), configura infração grave e coloca em risco a saúde coletiva.

Um apelo aos representantes

Diante da inércia e da falta de fiscalização, os moradores lançaram um apelo direto e contundente aos vereadores do município. O pedido é para que os representantes do povo conheçam in loco a realidade do centro da cidade, especialmente durante os fins de semana.

“Vereadores, vocês precisam passar um sábado no centro”, convocam os idosos, em um tom de alerta. “Se alguém não tomar providências logo, o hospital estará lotado de idosos doentes.”

A reportagem busca agora contato com a Prefeitura de Jordânia e com a Câmara de Vereadores para entender quais medidas estão sendo planejadas para coibir os abusos, garantir o cumprimento da lei e, acima de tudo, assegurar o direito à saúde e ao descanso da população idosa que reside no centro da cidade.





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