"Desespero que ecoa nas ruas: Morador de Itapetinga usa carro de som para pedir vaga em hospital para irmã e expõe crise na Regulação da Bahia"

 

ITAPETINGA (BA) – A espera por uma vaga em um hospital de Salvador se transformou em um protesto público e angustiante nas ruas de Itapetinga. Após mais de 20 dias de uma vigília silenciosa e frustrada contra a burocracia do sistema de saúde, Moreira Júnior decidiu que seu grito de socorro precisava ser amplificado. Ele pegou um microfone, alugou um carro de som e percorreu a cidade, usando as próprias ruas como palanque para um apelo dramático às autoridades estaduais: salvar a vida de sua irmã.

A paciente, cuja identidade foi preservada pela família, está internada no Hospital Cristo Redentor, na cidade, mas necessita urgentemente de cuidados especializados que só estão disponíveis na capital. O processo depende da Central de Regulação do Estado, responsável por liberar e coordenar a transferência. Passados mais de vinte dias, sem qualquer previsão concreta, a paciência se esgotou.

"Foi a forma que encontrei para dar visibilidade a um caso que está invisível para o Estado", explicou Moreira Júnior, em meio à sua inusitada e desesperada campanha. "Minha irmã precisa de um tratamento que não existe aqui. Cada dia de espera é um risco a mais para a saúde dela. Não podemos mais ficar quietos."

A iniciativa, embora extrema, ressoa como um sintoma grave de um mal crônico no estado. A lentidão e a falta de transparência do Sistema de Regulação da Bahia são queixas históricas de moradores do interior, que frequentemente veem a saúde de familiares se deteriorar enquanto aguardam por uma vaga.

O caso chega em um momento politicamente sensível. Durante a campanha eleitoral, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) fez da promessa de "acabar com a fila da regulação" uma de suas bandeiras. No entanto, de acordo com relatos de profissionais de saúde, gestores municipais e famílias, a situação, longe de melhorar, tem se agravado, com prazos de espera se alongando e a comunicação se tornando ainda mais obscura.

Procurada para comentar o caso específico da paciente de Itapetinga e a situação geral da Regulação, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) não se manifestou até o fechamento desta reportagem. A família aguarda, ansiosamente, um sinal de que o processo foi destravado.

Enquanto o carro de som já silenciou, o eco do protesto permanece. A atitude de Moreira Júnior vai além do drama familiar; é um reflexo do colapso que atinge centenas de baianos que dependem de um sistema que, prometido para salvar vidas, muitas vezes as coloca em uma fila interminável e perigosa. A pergunta que fica, e que agora foi gritada nas ruas, é: quantos mais precisarão amplificar sua voz para serem ouvidos pelo poder público?



Nenhum comentário:


Acidente deixa três feridos após caminhonete despencar de ponte em Potiraguá

    Veículo ficou pendurado às margens do Rio Pardo; ocupantes tiveram apenas escoriações leves   Um susto de grandes proporções marcou ...