Operação "Mimetismo" cumpre 13 mandados de busca e apreensão em 10 cidades baianas e investiga cadastros fraudulentos no Pará.
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (11) uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudar contas bancárias de idosos. A ação, batizada de "Operação Mimetismo", cumpriu mandados de busca e apreensão em dez cidades da Bahia: Guanambi, Salvador, Serrinha, Eunápolis, Feira de Santana, Castro Alves, Cachoeira, Euclides da Cunha, Conceição do Coité e Itamarajú.
De acordo com as investigações, o modus operandi do grupo consistia em identificar correntistas idosos, titulares de contas com saldos elevados e pouca movimentação. Em seguida, os criminosos falsificavam a biometria para se passar pelos verdadeiros titulares, assumindo sua identidade.
A fraude tinha uma etapa crucial fora do estado: segundo a PF, os investigados realizavam cadastramentos biométricos fraudulentos em agências da Caixa Econômica Federal no estado do Pará. Para isso, utilizavam pessoas mais jovens, que se apresentavam nas agências bancárias portando documentos falsos ou roubados dos idosos, a fim de cadastrar suas próprias digitais no sistema bancário, vinculando-as às contas das vítimas. Com o cadastro biométrico fraudulento concluído, os criminosos tinham acesso total aos recursos financeiros.
O nome da operação, "Mimetismo", faz referência à estratégia de camuflagem encontrada na natureza, onde animais assumem a aparência de outros seres para se confundirem com o ambiente. A analogia é direta: os suspeitos "mimetizavam" a identidade dos idosos para se infiltrar no sistema bancário e dificultar a ação das autoridades.
A PF informou que a investigação começou a partir de denúncias e de uma análise de padrões de fraudes. As diligências desta quinta-feira visam coletar provas documentais e digitais que possam identificar toda a extensão da organização, seus integrantes e o montante total desviado.
As recomendações das autoridades para os idosos e familiares são:
· Monitorar regularmente extratos bancários e movimentações.
· Desconfiar de qualquer solicitação de dados pessoais ou bancários por telefone ou mensagem.
· Relatar imediatamente ao banco e à polícia qualquer movimentação atípica ou suspeita.
· Evitar compartilhar documentos pessoais e senhas.
As investigações continuam para apurar a rede completa e a possibilidade de envolvimento de outros indivíduos, inclusive dentro das instituições financeiras. A operação é conduzida pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). Os crimes investigados são de associação criminosa, furto qualificado, estelionato e falsificação de documento público, com penas que podem ultrapassar 10 anos de reclusão.

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