Suspeitos usavam tecnologia de acionamento remoto para adulterar quantidade e qualidade de combustíveis; operação "Acesso Remoto" cumpriu mandados em Lauro de Freitas e Simões Filho.
Uma operação da Polícia Civil, batizada de "Acesso Remoto", colocou no radar, na manhã desta quarta-feira (28/01), postos de combustíveis suspeitos de aplicar golpes em consumidores na Região Metropolitana de Salvador. A ação investiga fraudes e adulterações na venda de combustíveis em estabelecimentos de Lauro de Freitas e Simões Filho.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, com foco em áreas internas e subterrâneas dos postos. As investigações apontam para a atuação de um grupo organizado que utilizaria tecnologia avançada para enganar os clientes, alterando tanto a quantidade quanto a qualidade do produto vendido.
De acordo com as apurações, os suspeitos instalaram dispositivos eletrônicos ocultos, capazes de serem acionados à distância, para manipular as bombas de combustível. O esquema envolvia chips e válvulas instalados abaixo do solo, em obras especializadas que dificultavam a detecção durante fiscalizações de rotina.
O caso começou a ser investigado após a Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) receber informações do Ministério Público sobre indícios consistentes de irregularidades. Com base nisso, a Justiça autorizou as buscas para uma varredura completa nos postos sob suspeita.
A operação conta com o apoio da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do Departamento de Polícia Técnica (DPT) e do Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade (Ibametro). Durante as diligências, celulares foram apreendidos e serão periciados para aprofundar as investigações. A ação segue em andamento.
Enquanto a operação se concentra na região metropolitana, especialistas em defesa do consumidor e moradores de cidades do interior baiano questionam a abrangência das fiscalizações. A preocupação é que esquemas semelhantes possam operar de forma mais discreta em municípios menores, onde a presença de órgãos de controle é menos frequente.
"É uma ação importantíssima e mostra a sofisticação da fraude. No entanto, é preciso lembrar que o consumidor que paga impostos em qualquer cidade do estado tem o mesmo direito à proteção. A lógica deveria ser a de expandir esse rigor investigativo para todo o território baiano, e não apenas para os grandes centros", comenta um advogado especializado em direito do consumidor, que preferiu não se identificar.
A afirmação ecoa um sentimento comum entre cidadãos do interior: a sensação de que a fiscalização é mais frouxa e que o combate a esse tipo de crime organizado contra o patrimônio popular não recebe a mesma prioridade. "Todos pagamos impostos, mas parece que alguns têm mais direito a serviços do que outros. Aqui na minha cidade, a desconfiança nos postos é grande, mas nunca vi uma operação desse porte", relata Maria Santos, comerciante de uma cidade do interior que preferiu não ter o nome divulgado.
A expectativa, agora, é que as provas coletadas na "Operação Acesso Remoto" não só levem à responsabilização dos envolvidos, mas também sirvam de insumo para que estratégias de inteligência e fiscalização sejam ampliadas, garantindo equidade na proteção ao consumidor em todos os municípios da Bahia. A população aguarda que o combate à fraude não tenha endereço certo, mas seja uma política de estado aplicada com igual rigor do litoral ao sertão.

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