Cacauicultores do Sul da Bahia protestam contra importação africana e queda nos preços

 

 


ILHÉUS (BA) – Centenas de produtores de cacau do sul da Bahia realizaram uma grande manifestação na manhã desta quarta-feira (28) em Ilhéus, em protesto contra a importação de cacau de países africanos e a consequente desvalorização do produto no mercado nacional. Os agricultores alertam para uma crise no setor, com a arroba sendo comercializada em torno de R$ 240,00, valor considerado insustentável para a atividade.

 A mobilização consolida um movimento que ganhou força na região desde o último final de semana. No domingo (25), produtores bloquearam parcialmente a BR-101, no distrito de Itamarati, em Ibirapitanga. Na segunda-feira (26), uma nova interdição ocorreu na BA-120, entre Nova Ibiá, Gandu e Ibirataia, ampliando a visibilidade da crise que afeta a cadeia cacaueira.

 Nesta quarta, caravanas de diversos municípios chegaram a Ilhéus, concentrando-se na Rua Rotary, no bairro Cidade Nova, em frente à Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) – local estratégico por ser o principal ponto de entrada do cacau importado no estado.

 Durante o protesto, os cacauicultores cobraram providências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, senadores e deputados baianos. Exigem medidas urgentes para limitar a importação de cacau africano e garantir a valorização da produção nacional. De acordo com os organizadores, a desvalorização tem causado prejuízos significativos e afetado diretamente a renda de milhares de famílias que dependem da lavoura cacaueira, uma das atividades econômicas mais tradicionais da região.

 O sul da Bahia é historicamente uma das principais regiões produtoras de cacau do Brasil, com produção voltada tanto para o mercado interno quanto para exportação. Nos últimos meses, entretanto, os produtores locais têm enfrentado concorrência crescente do cacau importado de países como Costa do Marfim e Gana, que chega ao Brasil com preços mais baixos, pressionando a cotação nacional.

 Especialistas alertam que a situação pode comprometer não apenas a economia local, mas também a qualidade do cacau brasileiro, reconhecido internacionalmente por suas características distintas. A expectativa dos produtores é que o governo federal intervenha com políticas de proteção ao setor, como a revisão de alíquotas de importação ou a criação de barreiras fitossanitárias.

 O movimento promete intensificar as mobilidades caso não haja respostas concretas dos poderes públicos nas próximas semanas.



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