POTIRAGUÁ, Bahia – Sob o sol forte do sul da Bahia, o Rio Pardo segue sendo, como há décadas, a fonte de sustento para muitas famílias do município de Potiraguá. O Blogribeira foi até as margens do rio para acompanhar de perto o dia a dia dos trabalhadores que retiram areia de seu leito, uma atividade econômica tradicional e essencial para a construção civil na região.
No local, a cena é de trabalho árduo e ritmo constante. Homens, em sua maioria, movimentam-se com as canoas de madeira, as principais ferramentas desse ofício. A areia, chamada pelos próprios de “lavada” por ser retirada diretamente de dentro do rio, é carregada manualmente nas embarcações. Em um dia comum de atividade, como o acompanhado pela nossa reportagem, saem em média 200 metros cúbicos do material, que será comercializado localmente.
O processo é físico e demanda força: os trabalhadores, com pás, enchem as canoas no leito do rio. Depois, a areia é descarregada na margem e, com o auxílio de uma peneira conhecida como “vasculhante”, é preparada para o carregamento nos caminhões, as “caçambas” que a levarão para os canteiros de obras.
No meio do grupo majoritariamente masculino, uma figura chamou a atenção da nossa equipe: uma mulher, com a mesma destreza e resistência que os colegas, trabalhava no pesado serviço de encher a caçamba com a areia já peneirada. Sua presença no local quebra estereótipos e ilustra a realidade de muitas mulheres que assumem trabalhos historicamente vinculados aos homens para garantir o sustento de suas famílias.
Ela é uma “vasculhante” – termo que dá nome tanto à peneira quanto a quem opera ela. Sua atividade é crucial na etapa final da cadeia, garantindo a qualidade do produto que será vendido. A cena é um retrato silencioso, mas eloquente, da força e da capacidade de adaptação da trabalhadora brasileira.
A extração de areia do Rio Pardo é uma atividade econômica vital para Potiraguá, mas também convive com desafios. A reportagem do Blogribeira observou a informalidade que cerca parte do trabalho, a dependência das condições do rio e a falta de mecanização, que mantém o processo extremamente manual e desgastante.
Os trabalhadores, no entanto, seguem firmes. O rio, que banha e dá nome à região, continua a prover, gota a gota e pá a pá, o material que constrói casas, estabelecimentos e o futuro da cidade. A história de hoje, com seus 200 metros cúbicos de areia e a presença marcante da trabalhadora no barranco, é um capítulo dessa relação persistente entre o homem, a mulher e o Rio Pardo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário