Desde a infância, o jovem Márcio Santos, 28 anos, tinha consciência de seu desejo de se tornar professor. Ele fantasiava os estudantes da sua escolinha doméstica com ursos e bonecos. No meu aniversário, sempre solicitava aos meus pais um quadro como presente. Durante o ensino médio, ela decidiu que queria seguir essa carreira, porém não tinha certeza sobre qual campo escolher.
No entanto, aos 18 anos, tive que começar a trabalhar. "Sou um homem negro, gay e da periferia e, devido à minha sexualidade, deixei minha casa e deixei de estudar", recorda ele, que atuou como assistente administrativo e na área de telemarketing. No entanto, a pandemia de covid-19 e a demissão no final de 2023 despertaram o desejo de retomar os estudos. Ela considerou Psicologia ou Medicina, mas percebeu que sua verdadeira paixão era a docência. Na semana passada, ele obteve a primeira colocação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para a graduação em Pedagogia na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), dentro das oportunidades reservadas para pessoas com deficiência.
Márcio é um dos alunos que optou por um caminho atualmente pouco comum no Brasil. Em meio a uma ameaça de 'falta de professores' - algumas pesquisas indicam que isso pode ocorrer até 2040, outras já estão ocorrendo - e um imaginário coletivo de que a profissão não é rentável, optou-se pelo ensino. Não pretendo romantizar. Atualmente, com o progresso tecnológico, é extremamente desafiador ser professor. Não é possível simplesmente transmitir o conteúdo em sala de aula. "É necessário envolver-se na vida dos estudantes", afirma.
O Ministério da Educação (MEC) lançou o programa Mais Professores Pelo Brasil no mês passado, englobando ações que vão desde a implementação da Prova Nacional Docente (PND), que ocorrerá anualmente e poderá ser utilizada por estados e municípios em concursos, até a concessão de uma bolsa de R$ 2,1 mil para profissionais que já concluíram dois anos de formação, além do salário da rede em que atuam. O apoio é oferecido a professores que se inscrevem em regiões com escassez de professores. Além do auxílio financeiro, eles precisam fazer uma pós-graduação.
No entanto, uma das ações que causou maior impacto foi o lançamento do Programa Pé-de-Meia Licenciaturas, oficialmente estabelecido para atrair futuros professores e incentivar a continuidade e conclusão dos cursos por estudantes que se destacaram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Alunos que obtiverem notas superiores a 650 no exame e se inscreverem em licenciaturas receberão R$ 1.050 mensais durante o curso. Todos os meses, poderão retirar R$ 700, enquanto os outros R$ 350 serão mantidos como poupança para serem retirados quando se tornarem estudantes de uma instituição pública.
O cenário atual sugere uma queda no interesse pelo ensino, que já era baixo, devido a fatores que variam desde a remuneração até a falta de respeito dos estudantes em sala de aula. "Existe o piso nacional, porém, ao analisarmos o indicador, ele ainda é 80% inferior à média das outras profissões de nível superior. Gabriela Moriconi, pesquisadora do grupo de pesquisa em Políticas e Práticas de Educação e Formação de Professores da Fundação Carlos Chagas (FCC), afirma que o nível de emprego ainda é baixo e houve poucas alterações nas condições de trabalho.
"Existe a questão da atratividade no ingresso, mas existem aqueles que terminam e seguem em frente. Existe uma combinação entre as condições de trabalho, a escassez de concursos, a abundância de vagas temporárias e a necessidade de professores trabalharem em mais de uma instituição de ensino. Isso representa um grande desafio para matérias com menos aulas semanais, que precisam lidar com mais turmas. Há um professor com 800 estudantes, totalizando mil estudantes.
Fonte: Correio da Bahia

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